Em sua 21ª edição, a maior feira de arte da América Latina apresenta 200 expositores, entre galerias de arte, estúdios de design, instituições culturais e editoras. Misturando jovens talentos e artistas consagrados, com uma agenda de conversas ampliada e um destaque maior no setor de design, a feira chega à sua maioridade e reafirma o aquecimento do mercado de arte brasileiro. A SP-Arte acontece entre os dias 2 e 6 de abril no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo.

Galeria Luisa Strina
A galeria que completa 50 anos promove um encontro entre gerações e linguagens, reunindo nomes de peso, como Anna Maria Maiolino e Cildo Meireles, ao lado de artistas mais jovens que trazem um frescor visual e muita técnica, como Brisa Noronha e Luísa Matsushita. Ao todo, estão expostos trabalhos de 27 artistas de diferentes gerações e que exploram diversas expressões artísticas.
Flexa Galeria
A galeria carioca faz a sua estreia na SP-Arte com uma curadoria incrível focada em artistas mulheres. O projeto recebe o nome de “Mulheres: Tramas da criação” e reúne artistas nacionais e internacionais, dentre elas Yayoi Kusama, Judith Lauand, Lygia Pape, Sonia Gomes, Adriana Varejão, Tomie Ohtake, Lygia Clark e Tadáskía. A seleção abrange um amplo arco temporal, promovendo diálogos interessantes entre arte moderna e contemporânea, bem como afirmando as mulheres como protagonistas da história da arte brasileira desde o início do século XX.

Galeria Bianca Boeckel
Com uma curadoria sutil e sensível, que nos toca em um lugar raro, a galeria apresenta obras das artistas representadas e convidadas, além de um desenho da série La Voie Humide, de Tunga. Dentre os nomes que estão presentes destaca-se Larissa Camnev, Anna Costa e Silva, Piti Tomé, Jade Marra, Adriana Varejão e Patricia Baik. Atenção aos detalhes.

Arte FASAM Galeria
O projeto de estande partiu da linha condutora das lembranças, imagens plásticas que ora se apresentam nítidas, com contornos bem delineados, ora difusas, como a sugerir possibilidades dúbias sobre a materialidade do suporte. O texto da curadora Giulia França nos convida a fechar os olhos e depois abri-los devagar a ponto de a retina se ajustar à luminosidade do ambiente, de modo que as imagens se tornam meras sugestões, fragmentos soltos do que outrora nos foi tão evidente. Nas paredes verde menta, obras de artistas como Anna Paes, Gabriel Loew, Julia Pereira, Gabriela Sacchetto e Liliana Alves.
Galeria Marco Zero

É impossível passar pelo estande da galeria de Recife na feira sem ser tomada profundamente pela produção da artista pernambucana Tereza Costa Rêgo. O painel monumental de 12 metros de largura é apresentado em São Paulo pela primeira vez e nele o interior de uma enorme serpente apresenta cenas do livro de apocalipse da Bíblia, bem como motins, batalhas históricas do Pernambuco, cerimônias religiosas, animais, florestas e seres fantásticos.
Gomide & Co.
A galeria apresenta uma seleção de obras baseada no diálogo visual entre as diversas formas de abstração que marcam a América Latina, transitando entre o geométrico e o orgânico com ênfase em aspectos e elementos presentes na cultura e identidade da região e que reverberam em outras partes do mundo. O projeto expográfico é do escritório de arquitetura entre terras (Jaqueline Lessa), com mobiliário desenvolvido por Lucas Recchia. A relação com a terra e com práticas tradicionais é um eixo central da proposta, no que a seleção dedica especial atenção para o universo da cerâmica.

Yehudi Hollander-Pappi
A galeria recém-chegada em São Paulo participa pela primeira vez da feira com o interesse de trazer novos expoentes para a cena, já que a maioria dos artistas do espaço estão em sua primeira representação. Destacam-se nomes emergentes do vídeo, da instalação e da performance, como Gabriel Massan, que aparecem ao lado de outros de peso, como o estadunidense Bruce Nauman.

Danielian Galeria
Em sua visita você precisa dar uma passada pelo estande da galeria, que exibe pela primeira vez desde o século XIX a pintura “Aquaduct at Rio de Janeiro” (c. 1816-1817) de Nicolas Antoine Taunay, localizada recentemente em Paris. No mesmo espaço, também estão expostas uma natureza morta de Suzanne Valadon, uma escultura de Joan Miró e a obra “Os Pares” (1999) de Beatriz Milhazes.

Rafael Moraes
O galerista exibe um conjunto de jóias desenhadas pelo artista Di Cavalcanti e executadas pelo joalheiro francês Lucien Finkelstein na década de 1960. As peças são da coleção de Finkelstein, ávido colecionador e fundador do já extinto Museu Internacional de Arte Naïf, no Rio de Janeiro. Vale muito a pena conferir essa preciosidade com os próprios olhos!
Galatea
Com um estande super autêntico que reúne arte, arquitetura e design, a expografia é assinada por Lucas Jimeno Dualde, que buscou simular o espaço de uma casa, criando diálogo entre o mobiliário e as obras de arte – na seleção, há artistas de diferentes gerações, partindo de Allan Weber e Carolina Cordeiro a Lygia Pape e Rubem Valentim. Atrai especial atenção a obra Cat nº 9, do renomado e importantíssimo artista Francis Alÿs. Resultado de uma colaboração entre o artista belga e pintores de anúncio, a tela questiona as noções de cópia e autenticidade. Outro destaque é um painel de Di Cavalcanti que está sendo exibido ao público pela primeira vez.

Thaís Bambozzi é sensível aos detalhes. Graduada em Direito pela PUC-SP e Artes Visuais pela EPA, com pós em História da Arte pela FAAP e atualmente realizando formação em Psicanálise no CEP. Trabalha com coordenação, pesquisa, escrita e produção de conteúdo na Nano Art Market e na Tropix, bem como é criadora da plataforma Mira, onde propõe reflexões sobre mulheres e arte em diversos formatos. Artista visual independente, escreve uma newsletterquinzenal e é idealizadora de um clube literário chamado Buquê.
Texto incrível e com um arco temporal brilhante. Que bela cobertura. A equipe está de parabéns.